Webinar debate os desafios da educação no Brasil hoje
IIPE promove seu primeiro evento online em português
Webinar IIPE

Cerca de 100 pessoas participaram do primeiro webinar em língua portuguesa promovido pelo IIPE UNESCO Buenos Aires, Escritório para a América Latina, no último dia 25 de julho. Com o tema “O Planejamento das políticas educacionais no âmbito da Agenda 2030”, o evento online contou com a participação de Maria Rebeca Otero (UNESCO Brasil) e Camilla Croso (CLADE), e a mediação de Henry Armas (Coordenador de Cooperação Técnica, IIPE UNESCO Buenos Aires).

As especialistas debateram a relevância política e institucional dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável para a América Latina, e apresentaram os principais desafios para a implementação da Agenda 2030 no Brasil, principalmente aqueles relacionados às Políticas Docentes, Políticas Digitais e Políticas de Avaliação - as três áreas estudadas nos Programas Virtuais de Formação do IIPE que acontecem desde o dia 17 de julho.

Segundo Rebeca Otero, o Brasil teve muitos avanços nas últimas décadas, principalmente em relação ao acesso à educação, mas ainda enfrenta problemas como um grande índice de analfabetismo e uma verdadeira crise de aprendizagem e de qualidade, evidenciadas pelo censo escolar nacional e outras avaliações realizadas no país.

"Há 20 anos o Brasil não falava de educação. Hoje temos avanços não só no acesso e nas avaliações em educação, como também na ampliação do debate. Para ter uma educação de qualidade, a sociedade precisa saber e discutir o que é uma educação de qualidade."

Camilla Croso chamou atenção também para duas questões centrais: a reflexão sobre gênero, que segundo ela vem sofrendo um retrocesso na América Latina e portanto deve ter sua importância repautada “dentro e a partir dos sistemas educacionais”, e a garantia de financiamento para a educação.

“Neste momento está acontecendo no Brasil um debate fundamental em relação ao financiamento e a mudanças na Constituição brasileira que congelam o orçamento público”, disse. Segundo ela, os rumos da discussão sobre o Fundo de Educação Básica poderiam apontar para a garantia ou não de um financiamento adequado para a educação nacional.

Esta também foi uma das questões mais citadas nas centenas de comentários ao vivo que o evento recebeu. Outras preocupações apontadas pelos participantes foram a lacuna na formação inicial e continuada dos professores, a valorização destes profissionais e a gestão escolar.

Rebeca Otero concorda que é preciso reestruturar a formação docente inicial e promover uma formação continuada que seja transformadora e esteja conectada com a vivência do docente, o que hoje inclui, por exemplo, trabalhar com migrantes e refugiados. Para ela, as políticas públicas também devem focar na inclusão digital, tanto de estudantes quanto de professores, e na promoção de avaliações in loco, para entender as falhas dentro da instituição de ensino e poder tratá-las com agilidade. “O Brasil ainda não tem sistemas de avaliação padronizados que possam rapidamente dar esse suporte ao professor”, disse.

As especialistas concordaram que a Agenda 2030 e os ODS representam um avanço em relação à Educação para Todos e as Metas do Milênio. "A Agenda 2030 coloca o Estado como garantidor do direito à educação. Gratuidade, universalidade e não discriminação são elementos-chave nesse sentido", disse Croso.

"O Plano Nacional de Educação do Brasil, se levado adiante, dialoga com a abrangência da Agenda 2030. Por isso é tão importante que o Brasil responda ao Plano e que seja garantido um financiamento adequado para isto."

Para ela, a perspectiva da educação como um direito fundamental pressupõe “uma educação pensante, que questione, aberta à imaginação e ao pensamento crítico” e os Estados latino-americanos devem se perguntar em que medida seu currículo e pedagogia apontam para isso. Uma das metas mais importantes do ODS 4 para alcançar uma educação transformadora seria o ponto 4.7, que Otero considera desafiador para o Brasil e Croso descreve como uma dimensão qualitativa importante.

A conquista desta e das demais metas depende, segundo Otero, de um trabalho conjunto de todos os atores, “sociedade civil, empresariado, academia, governos e organismos internacionais”, e o ODS 4 serve de base para todos os outros objetivos da Agenda.

Assista ao webinar na íntegra

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